Vendas do varejo em MG têm alta de 0,4%

As vendas do comércio varejista de Minas Gerais tiveram crescimento de 0,4% em maio frente abril, resultado melhor que a média nacional, que apresentou queda de 1%, segundo dados divulgados na sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na análise regional, o comércio varejista apresentou resultados negativos em 23 das 27 unidades da Federação na passagem de abril para maio. Além de Minas, as altas foram verificadas no Tocantins (1,8%) e Maranhão (0,4%), enquanto no Amazonas apresentou estabilidade (0,0%).

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) mostrou o Estado superando a média brasileira também na comparação com maio de 2022. Enquanto o varejo do Estado teve alta de 0,8%, o País apresentou novamente recuo de 1%, marcando a primeira taxa negativa após nove meses de altas. Nesse tipo de análise, as vendas no comércio varejista recuaram em 11 das 27 unidades da Federação.

Avaliação

Para a economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Ana Paula Bastos, o crescimento do Estado foi “relativamente pequeno” e reflete o resultado do endividamento e da inadimplência elevados. “Além disso, tem o impacto da alta taxa de juros, que torna o acesso ao crédito mais difícil e caro, o que impacta no pagamento das dívidas e no consumo”, observa.

O economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinicius Carlos Silva, também aponta o cenário com juros altos e o endividamento das famílias como limitador para o consumo. Para ele, a surpresa, em especial, para o resultado nacional foi a queda de 1% nas vendas em maio, que tem uma das datas mais importantes do varejo: o Dia das Mães.

Setores

Em Minas, no quinto mês de 2023 na comparação com igual período do ano passado, o analista em informações estatísticas e geográficas da unidade regional do IBGE, Daniel Dutra, destaca a alta de 3,8% na comercialização de supermercados e hipermercados, bem superior ao resultado nacional (1,6%). “É um grupo com peso considerável na pesquisa, de mais de 40%”, observa.

Ele ainda destaca, entre os resultados positivos, a comercialização de combustíveis e lubrificantes (16,8%) e artigos farmacêuticos (14,6%). Já o segmento de livros, jornais, revistas e papelaria teve recuo de 27,1%.

Nos acumulados do ano e dos últimos 12 meses, o desempenho de Minas Gerais foi positivo, com crescimento de 2,5% e 2,2%, respectivamente, bem melhor que o resultado nacional, com altas de 1,3% e 0,8%.

Varejo ampliado registrou queda de 4,7% no período

O comércio varejista ampliado, que contempla oito atividades analisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e inclui veículos, motos, partes e peças, além de material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, registrou recuo de 4,7% nas vendas em maio frente abril, conforme a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada na sexta-feira (14) pelo instituto. Foram verificados resultados negativos em 22 das 27 unidades da Federação. A média brasileira foi de recuo de 1,1%.

Já na análise de maio frente igual mês de 2022, o Estado saiu do vermelho e registrou alta de 0,7%. O desempenho positivo foi verificado em 19 das 27 unidades da Federação. O resultado do País foi melhor que o verificado em Minas, com alta de 3%. Já nos acumulados, o varejo mineiro volta a se destacar com alta de 5,2% no ano e de 2,2% nos últimos 12 meses, acima do nacional, com 3,1% e 0,2%, respectivamente.

Expectativas

Para a economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Ana Paula Bastos, e o economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinicius Carlos Silva, o varejo pode ter resultados melhores se houver a redução da taxa básica de juros, a Selic, que está em 13,75% ao ano. A taxa se mantém neste nível desde agosto de 2022, e é a maior desde janeiro de 2017.

Para Silva, o corte da Selic já está atrasado, diante de um cenário de inflação baixa. “Com taxa de juros alta, não temos capacidade de investimento, pois o crédito fica caro para as empresas e também para as famílias”, frisa.

Ana Paula Bastos destaca que, além da redução dos juros, o programa do governo federal cujo objetivo é possibilitar a renegociação de dívidas de brasileiros, o Desenrola Brasil, deve ajudar no resultado do varejo, bem como a redução da inflação.

Fonte: Diário do Comércio

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