Mesmo com pandemia, abertura de MEI registra recorde

A procura pela formalização por meio do registro como Microempreendedor Individual (MEI) continua em ritmo de crescimento no país, e também em Minas Gerais, mesmo diante das dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19.

Somente em 2020, foram registrados 2,6 milhões de novos MEI no Brasil. O número é o maior registado nos últimos cinco anos, de acordo com levantamento feito pelo Sebrae com dados da Receita Federal. Atualmente, o Brasil já conta com mais de 11,3 milhões de MEI ativos.

Em Minas Gerais não foi diferente. O ano de 2020 terminou com crescimento de 19,2% quando comparado ao ano de 2019. Uma diferença de 205.654 referente às novas formalizações. Com isso, Minas Gerais ocupa o terceiro lugar no ranking dos estados que mais possuem MEIs, representando 11,2% dos MEIs de todo o país, o que corresponde um contingente de 1.277.914 microempreendedores individuais.

Os setores de Comércio Varejista de Vestuário e Acessórios (180 mil); Promoção de Vendas (140 mil); Cabeleireiros, Manicure e Pedicure (131 mil); Fornecimento de Alimentos para Consumo Domiciliar (106 mil) e Obras de Alvenaria (105 mil) seguiram – a exemplo de 2019 – liderando o ranking de atividades com o maior número de MEI criados. Apesar disso, uma análise comparativa mais aprofundada entre os dois anos mostra novidades.

Segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles, houve uma mudança de perfil dos MEI entre as atividades econômicas mais procuradas. “O setor de cabeleireiros, manicure e pedicure, por exemplo, que em 2019 estava no topo com o maior número de MEI abertos, teve uma queda de quase 20% no ano passado. Essa mudança, com certeza, está diretamente relacionada aos impactos provocados pela pandemia do novo coronavírus”, analisa.

Outra alteração nesse cenário foi o aumento de quase 15% do número de novos MEI no setor varejista de vestuário e acessórios, que superou a marca de 180 mil novos registros em 2020. Entretanto, o maior crescimento do número de novos MEI foi identificado nas áreas de Transportes (86%), Restaurantes e Similares (59%), Fornecimento de Alimentos para Consumo Domiciliar (48%) e Comércio Varejista de Bebidas (41%).

No Distrito Federal, o empresário Valmir Ferreira abriu um e-commerce de cafés especiais como microempreendedor individual, em abril de 2020. A proposta do negócio é oferecer um produto de alta qualidade para que as pessoas consumam em casa. Para ele, abrir a empresa como MEI foi muito mais fácil. “Escolhi ser MEI pela facilidade para abrir a empresa e pela simplicidade para pagar os impostos”, contou. Além da loja virtual, ele também atende pelo Whatsapp.

Para o analista de gestão estratégica do Sebrae, Tomaz Carrijo, o cenário de crescimento dos MEI no ano passado no país vai ao encontro das projeções da Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), considerado o maior estudo contínuo sobre o empreendedorismo no mundo, realizado no Brasil com a colaboração do Sebrae. O levantamento divulgado no ano passado indicava que o país deveria alcançar o recorde histórico de empreendedorismo com cerca de 25% da população adulta envolvida em um novo negócio ou com uma empresa com até 3,5 anos de atividade. “Uma a análise da evolução das taxas de empreendedorismo no país nos últimos 20 anos mostra que, em tempos de recessão econômica, é comum que os brasileiros recorram ao empreendedorismo por necessidade, como alternativa de ocupação e renda. Isso já ocorreu em períodos anteriores (a exemplo do que foi verificado entre os anos de 2014 e 2016)”, comenta Tomaz.

“Estamos vivendo um momento de crise sem precedentes e sabemos como isso tem exigido um esforço ainda maior dos brasileiros que já são donos de pequenos negócios ou que buscam a formalização com uma saída para enfrentar os problemas. O aumento no número de MEI mostra o quanto essa figura jurídica tem se tornado peça fundamental para a economia brasileira ao longo dos últimos 10 anos”, destacou o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

Fonte: FCDL MG

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